Autor(a): Paulo José de Sousa
Orientador(a): Profa. Dra. Clarice
Greco Alves
Data: 09/02/2026
Resumo: A presente investigação objetiva analisar as representações das empregadas domésticas nas
telenovelas transmitidas pela TV Globo, nos horários das 20h e 21h, pela primeira vez entre os anos de 2000 e 2018.
Buscamos evidenciar particularidades dessas personagens, o que as torna significativas tanto no contexto das
telenovelas quanto fora das telas, nas histórias de profissionais que prestam serviços domésticos. Ao mesmo tempo,
pretende-se refletir a respeito de temas como abusos, maus-tratos, preconceitos, violências e desigualdades sociais.
Para a seleção de telenovelas que atendessem a estes objetivos, recorremos à cartografia formulada por Deleuze e
Guattari (2011) para realizar um mapeamento no Portal Memória Globo, na coluna Personagens. Na fase preliminar da
pesquisa, o mapeamento possibilitou identificar e selecionar as telenovelas e as trabalhadoras para o estudo.
Seguindo o percurso metodológico, foi possível elencar 31 telenovelas com 81 trabalhadoras domésticas. Diante desse
vasto rol de trabalhadoras no universo de telenovelas, fez-se necessário um método "complementar" para a seleção de
telenovelas que contivessem trabalhadoras mais representativas do cenário profissional das empregadas domésticas e
adequadas ao propósito desta pesquisa. Dada a flexibilidade da cartografia, faremos a combinação desse método com a
análise de conteúdo proposta por Bardin (2016) e Greco (2023). A cartografia irá ajudar a acompanhar os processos e
definir um caminho para a investigação. A análise de conteúdo, em conjunto com o mapeamento, auxiliará a definição
do corpus da pesquisa e de diagnósticos das relações entre os patrões e as trabalhadoras domésticas. Tendo
a violência, a exploração da mão de obra e o preconceito como eixos das discussões, consideraremos a
interseccionalidade inspirada em Crenshaw (2002) como recurso metodológico para as análises. Partimos da exposição
de recortes e interfaces das violências utilizadas na construção da narrativa das personagens.
Palavras-chave: Telenovela; Empregada Doméstica; Abusos; Violências; Preconceitos.
Área de Concentração: Comunicação e Cultura Midiática.
Linha de Pesquisa: Configuração de Produtos e Processos na Cultura
Midiática.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Grupo
de Pesquisa em Análise de Produtos Audiovisuais.
Autor(a): Eloenia Oliveira da Silva
Orientador(a): Profa. Bárbara Heller
Data: 20/02/2026
Resumo: Objetivou-se investigar e discutir os processos de (re)ativação das
memórias individual e social em indivíduos encarcerados, mediante suas participações nas
atividades da disciplina de Arte no âmbito escolar em unidades prisionais. A relevância social da
pesquisa se dá pela contribuição, na área da Comunicação, para os estudos
voltados à comunidade encarcerada e suas relações com o campo da memória individual e
especialmente a memória social. Caracteriza-se como uma pesquisa pioneira, considerando a escassez de
dissertações e teses sobre tal temática na área comunicacional, conforme levantamento
realizado no repositório da Capes em junho de 2025. A pesquisa, de natureza qualitativa, foi desenvolvida em
uma escola pública estadual situada no interior de uma unidade prisional na região sul mineira. Os
participantes são pessoas privadas de liberdade matriculadas nas aulas de Arte do 3º ano do Ensino
Médio na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para a coleta de dados, adotou-se uma
abordagem etnográfica, mediante observação participante e registro sistemático em
diário de campo. A análise dos dados foi conduzida por meio da técnica de análise de
conteúdo com categorização temática do corpus empírico fundamentado no
diário de campo e na produção artística dos participantes, em diálogo com o plano
de curso de Arte estabelecido pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Os resultados
obtidos confirmam a hipótese central do trabalho, demonstrando que os conteúdos programáticos
presentes nas aulas de Arte no ambiente prisional podem (re)ativar memórias individuais e sociais de pessoas
privadas de liberdade, que funcionam como dispositivos de (re)construção identitária e
facilitadores da reinserção social.
Palavras-chave: Memória Individual e Social; Pessoas Privadas de Liberdade; Disciplina de
Arte; Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais.
Área de Concentração: Comunicação e Cultura
Midiática.
Linha de Pesquisa: Contribuições da Mídia para a Interação entre
Grupos Sociais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Mídia, cultura e memória.
Autor(a): Isabel Cristina de Araújo Rodrigues
Orientador(a): Profa. Bárbara Heller
Data: 23/03/2026
Resumo: Esta pesquisa analisa a memória social e as narrativas de histórias de vida de mulheres egressas do sistema prisional da cidade de São Paulo, atendidas pelo Instituto Passarela Alternativa (IPA), a partir de uma abordagem interdisciplinar que articula os campos da comunicação, da memória social, da vulnerabilidade e dos direitos humanos. Parte-se do pressuposto de que a memória é constituída de forma relacional e dialógica e que as narrativas de vida representam práticas fundamentais de produção de sentidos, especialmente em contextos marcados por silenciamento, estigmatização e exclusão social. O objetivo da tese é compreender se e como as memórias e narrativas dessas mulheres contribuem para a reconstrução de suas identidades, para a elaboração de projetos de vida no pós-cárcere, bem como analisar o papel do acolhimento institucional no processo de reintegração social. Metodologicamente, a pesquisa combina levantamento bibliográfico, análise de dados oficiais sobre o encarceramento feminino no Brasil e entrevistas em profundidade realizadas com quatro mulheres egressas do sistema penitenciário, acolhidas pelos programas do IPA, entre os dias 22 e 23 de maio de 2025, respeitando os princípios éticos da pesquisa com seres humanos. Os resultados evidenciam que as trajetórias dessas mulheres são atravessadas por múltiplas vulnerabilidades --- socioeconômicas, raciais, civis e de gênero --- que antecedem o encarceramento e se intensificam após a saída da prisão. As narrativas revelam, ainda, que o cárcere produz marcas físicas e simbólicas duradouras, dificultando a reinserção social e impactando a construção de projetos futuros. Conclui-se que a memória, compreendida como prática comunicativa e cultural, constitui um instrumento político de afirmação da dignidade e de disputa por direitos humanos. Ao tornar visíveis vozes historicamente invisibilizadas, a pesquisa contribui para o campo da comunicação e para o debate público sobre encarceramento feminino, vulnerabilidade e justiça social. Reafirma também a centralidade que a escuta atenta das narrativas ocupa na construção de práticas e políticas comprometidas com a transformação social.
Palavras-chave: Memória Social; Mulheres Egressas; Sistema Prisional; Vulnerabilidade Social; Direitos Humanos.
Área de Concentração: Comunicação e Cultura Midiática.
Linha de Pesquisa: Contribuições da Mídia para a Interação entre Grupos Sociais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Mídia, cultura e memória.